Como tirar o sabor a cloro e calcário da água em Lisboa

Abres a torneira em plena Avenida Almirante Reis, enches um copo de água e, antes mesmo de beberes, aquele cheiro característico a piscina flutua no ar. Já te aconteceu? Se vives na capital portuguesa, de certeza que sim. A EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres) faz um trabalho fantástico a garantir que a água que chega a nossa casa cumpre todas as normas de segurança microbiológica, mas a verdade é que a experiência de beber água da rede em Lisboa está longe de ser perfeita para o paladar.

Não estamos a falar de um problema de saúde pública. A água de Lisboa é perfeitamente potável. O verdadeiro drama diário é aquele travo químico a cloro que te estraga o café logo pela manhã e os depósitos esbranquiçados que se acumulam na base da tua chaleira elétrica ao fim de poucas semanas de uso.

Resumo Executivo

  • A água de Lisboa cumpre 99% dos controlos de qualidade, mas apresenta níveis elevados de cloro residual livre para garantir a desinfeção na rede de distribuição.
  • A dureza da água na Área Metropolitana de Lisboa varia entre os 150 mg/L e os 250 mg/L de CaCO3, sendo classificada como moderadamente dura a dura.
  • A filtragem por carvão ativado combinado com membranas de ultrafiltração é o método mais eficaz e económico para eliminar o sabor a cloro sem retirar os minerais essenciais.

O problema real da água da torneira em Lisboa

Vamos olhar para os números concretos. O sistema de abastecimento de Lisboa depende principalmente da captação de Castelo do Bode (rio Zêzere) e de captações subterrâneas em Valada do Tejo. Esta mistura de origens faz com que a água que corre nas zonas históricas como Alfama ou a Graça tenha características ligeiramente diferentes daquela que encontras no Parque das Nações.

Para garantir que a água percorre dezenas de quilómetros de tubagens antigas sem desenvolver bactérias, a EPAL adiciona cloro (sob a forma de hipoclorito de sódio). O valor paramétrico legal em Portugal permite até 0,5 mg/L de cloro residual livre na torneira do consumidor. Embora este valor esteja muito abaixo do limite de perigo para a saúde estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (que é de 5 mg/L), o nariz humano consegue detetar o odor a cloro em concentrações tão baixas como 0,1 mg/L. É aqui que começa o desconforto.

Depois temos o eterno problema do calcário. A dureza da água em Lisboa deve-se à presença de iões de cálcio e magnésio dissolvidos. Quando a água passa por formações rochosas calcárias antes de ser captada, dissolve estes minerais. Na tua casa, quando aqueces a água, estes minerais precipitam e transformam-se em carbonato de cálcio sólido — o famoso calcário que destrói as resistências das máquinas de lavar e deixa manchas cinzentas nos copos de vidro.

A radiografia da dureza da água por zona

A dureza da água em Portugal é medida em graus franceses (ºfH) ou em miligramas por litro de carbonato de cálcio (mg/L de CaCO3). Em Lisboa, os valores médios oscilam significativamente dependendo da mistura de águas que a EPAL faz no reservatório que abastece a tua zona.

Zona de Abastecimento (Lisboa) Dureza Média (mg/L CaCO3) Dureza em Graus Franceses (ºfH) Classificação da Água
Parque das Nações / Olivais 140 – 160 14 – 16 Moderadamente dura
Alvalade / Campo Grande 160 – 180 16 – 18 Moderadamente dura
Centro Histórico (Baixa, Chiado) 180 – 210 18 – 21 Dura
Benfica / Monsanto 150 – 170 15 – 17 Moderadamente dura
Zona Ocidental (Belém, Restelo) 190 – 220 19 – 22 Dura

Se moras numa zona com água classificada como “Dura”, vais notar muito mais resíduos brancos na tua loiça e uma maior necessidade de usar descalcificantes nos eletrodomésticos.

Como funciona a eliminação de cloro e calcário

Para resolver estes dois problemas de forma definitiva, precisas de perceber que o cloro e o calcário exigem tecnologias de tratamento completamente diferentes. Não existe um elemento único que faça milagres sozinho.

O cloro é um elemento químico altamente volátil. Se deixares uma jarra de água aberta no frigorífico durante 24 horas, grande parte do cloro vai evaporar naturalmente. Mas quem é que tem tempo ou espaço no frigorífico para planear o consumo de água com um dia de antecedência? A solução imediata e mais eficiente é a adsorção por carvão ativado. O carvão ativado atua como uma esponja química com milhões de micro-poros que atraem e retêm as moléculas de cloro, eliminando instantaneamente o mau cheiro e o sabor desagradável.

Já o calcário não evapora. Para lidar com o cálcio e o magnésio, o mercado oferece duas abordagens principais: a descalcificação por troca iónica (que substitui os iões de cálcio por sódio) e a filtração física fina combinada com inibidores de incrustação. Para consumo humano, a troca iónica pura pode deixar a água com um sabor ligeiramente salgado e elevar os níveis de sódio acima do recomendado para quem sofre de hipertensão. É por isso que os sistemas modernos de purificação de água domésticos preferem usar membranas de ultrafiltração ou osmose inversa para reduzir o excesso de minerais sem desequilibrar a composição química da água.

Sabias que a ONEMI desenvolve sistemas de purificação avançados que combinam precisamente estas várias etapas de filtragem num único equipamento compacto para garantir que a água da torneira em Lisboa perca o sabor a cloro sem perder a frescura natural?

As soluções práticas para a tua casa

Tens várias opções disponíveis no mercado português para melhorar a qualidade da tua água. Cada uma tem os seus prós e contras, dependendo do teu orçamento e do espaço disponível por baixo da tua banca de cozinha.

Os jarros filtrantes são a opção mais barata à partida, mas têm uma limitação técnica irritante: a velocidade de filtração é extremamente lenta e a capacidade dos cartuchos raramente passa dos 100 litros, o que significa que vais gastar uma fortuna em recargas ao fim de poucos meses.

A melhor relação custo-benefício para quem vive na capital é a instalação de um sistema de purificação sob a banca de cozinha. Estes sistemas ligam-se diretamente à canalização e alimentam uma torneira dedicada ou uma torneira de três vias. Utilizam cartuchos de grande capacidade (geralmente para 4000 a 6000 litros de água), o que significa que só precisas de te preocupar com a manutenção uma vez por ano.

Um pequeno detalhe prático que quase ninguém te conta: se vives num prédio antigo em Campo de Ourique ou em Alfama, a tua canalização interna ainda pode ter tubos de chumbo ou ferro galvanizado. Nestes casos, um simples filtro de carvão ativado para o cloro não é suficiente. Precisas obrigatoriamente de um sistema que inclua uma barreira física contra metais pesados, como uma membrana de ultrafiltração de fibra oca, para garantir que a ferrugem acumulada nos canos do edifício não chegue ao teu copo.

Investir num purificador ONEMI permite-te esquecer de vez o peso dos garrafões de água do supermercado e reduzir drasticamente a pegada de plástico da tua casa, enquanto desfrutas de uma água com sabor leve e totalmente livre de impurezas.

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